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Africom

Novo Comando do Departamento da Defesa Tem Como Alvo Questões de Saúde Africanas 
AFRICOM, composto por militares e civis, considera HIV/SIDA ameaça à estabilidade regional
 
 

Por Cheryl Pellerin
Redactora

Washington – O mais recente quartel-general militar regional do Departamento da Defesa Norte-Americano – o Comando para África, chamado AFRICOM – está decidido a agilizar uma série de operações e criar serviços de cuidados de saúde numa parte do mundo em que a segurança nacional e as doenças infecciosas estão inextrincavelmente ligadas.
O AFRICOM, declarado um comando unificado a 1 de Outubro, tem uma missão – “segurança sustentável” – que irá desempenhar “com outras agências norte-americanas e parceiros internacionais”, segundo um folha informativa, através de programas de militares para militares, actividades promovidas por militares e outras operações que apoiam a política externa americana, promovendo uma África estável e segura.

Até 1 de Outubro, o envolvimento militar norte-americano no continente foi partilhado entre o Comando Europeu dos EUA na Alemanha, o Comando Central na Florida e o Comando do Pacífico no Havai. O AFRICOM é responsável pelas operações militares americanas em África e pelas relações militares com 53 países africanos, com excepção do Egipto.

“O AFRICOM foi criado por se acreditar que a chave para o sucesso a longo prazo e a estabilidade dos parceiros africanos é uma estrutura militar leal, independente e forte”. Erik Threet, da Direcção de Estratégia, Planos e Programas do AFRICOM, disse durante uma discussão dum painel a 23 de Setembro em Washington, “compreende que o seu papel é apoiar o governo civil e não dominá-lo” (Ver “Novo Comando Militar Americano Incide Exclusivamente em África”).

As agências americanas envolvidas no AFRICOM são a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e os Departamentos do Estado, Tesouro, Segurança Interna e Justiça. O comando está sedeado actualmente em Estugarda, Alemanha.

ANTES E DEPOIS DO HIV/SIDA

Os programas de saúde militares têm estado a ajudar as pessoas no continente africano desde 1946, quando a Unidade de Investigação Médica naval dos EUA No. 3 (NAMRU-3) começou as operações no Cairo, Egipto, trabalhando estreitamente com o Ministério Egípcio da Saúde para estudar o tifo e outras doenças endémicas que afectavam as suas tropas no terreno. (Ver “Marinha Americana, Cientistas Egípcios Lutam contra Doença Mundial, Infecção)”.

Hoje, o NAMRU-3 é um laboratório de referência regional para o diagnóstico de doenças virais para a Organização Mundial da Saúde e tem três funcionários de saúde pública dos Centros para Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, que estão a alargar a vigilância de doenças respiratórias agudas em vários hospitais egípcios.

O NAMRU-3 também tem um destacamento em Accra, Gana, disse o Capitão Sybil Tasker de NAMRU-3, e um destacamento mais pequeno no Afeganistão.

A Unidade de Pesquisa Médica da Marinha dos EUA em Nairobi começou a funcionar em 1969 a convite do governo do Quénia como uma actividade estrangeira especial do Walter Reed Army Institute of Research em Maryland. Através dum acordo de cooperação com o Kenya Medical Research Institute, os cientistas investigaram a malária e outras doenças.
A África Subsariana tem pouco mais de 10% da população mundial mas alberga mais de 60% das pessoas com HIV, o vírus que causa a SIDA.
 
Uma equipa de militares americanos na Tanzânia apoia um projecto médico de acção civil.
 “O Programa de Prevenção do HIV/SIDA do Departamento de Defesa, também conhecido por DHAPP”, disse Theresa Whelan, secretária assistente adjunta para os assuntos africanos do Departamento da Defesa, “existe desde finais de 1990, quando o Congresso autorizou pela primeira vez o departamento a fazer despesas em África para tratar especificamente do problema do HIV/SIDA” entre os militares africanos.

A preocupação, declarou ela, era que o HIV/SIDA estava a ser tratado na população civil, mas não no seio dos militares.

CAUSA PROFUNDA

Desde 2002, segundo o Coronel Jerome Kim do Walter Reed Army Institute of Research, “a propagação do HIV e o seu impacto nos países [africanos] foi considerada pela estratégia de segurança nacional americana como um problema humanitário e uma prioridade nacional. Com o início do Plano de Emergência do Presidente de Ajuda à SIDA [PEPFAR], os militares americanos participaram em actividades de prevenção, cuidados e tratamento do HIV nos países alvo”.

Quando o PEPFAR começou a trabalhar em África em 2004, disse Tasker, o programa DHAPP já estava a trabalhar estreitamente com militares nos 15 países alvo do PEPFAR, 13 dos quais se encontram em África.

“Nós participamos através do gabinete de cooperação militar nas embaixadas americanas em cada país”, afirmou Tasker, “depois muitas vezes executamos os programas através de subvenções ou contratos nas universidades ou em organizações não governamentais (ONGs) locais ou internacionais”.

Em 2007, o DHAPP tinha um orçamento de $68 milhões e estava a trabalhar com organizações militares em 70 países. Só em África em 2007, o DHAPP abrangeu 500.000 militares e respectivos familiares com mensagens detalhadas de prevenção e formou mais de 7.000 formadores.

Mais de 100.000 pessoas fizeram o teste do HIV e receberam aconselhamento e quase 18.000 mulheres beneficiaram de serviços de prevenção da transmissão de mãe para filho que incluíam o teste. Sessenta e três laboratórios receberam equipamento ou reagentes e cerca de 19.000 doentes estão a fazer terapia anti-retroviral através de hospitais militares.
“Na região, os militares são os únicos a prestar cuidados de saúde, em especial longe das capitais e das principais cidades. Em muito países, os hospitais militares têm mais camas ou serviços do que os hospitais do estado. Também têm capacidade de segurança e logística que permite prestar cuidados de saúde em alturas de conflito”, disse Tasker.

Os militares que regressam a aldeias rurais remotas ou a comunidades em cidades do interior podem levar mensagens de prevenção para lugares onde o acesso pode ser difícil ou impossível para as ONGs.

Em África, o Departamento da Defesa faz parceria com agências tradicionais de prestação de cuidados de saúde, incluindo universidades e ONGs para utilizarem os seus conhecimentos técnicos em marketing social e educação sobre saúde preventiva.

“Os militares, até alguns chefes militares estrangeiros que não esperávamos, compreendem que as causas profundas do HIV no seio dos militares e que tem os seus soldados doentes e incapazes de fazerem o seu trabalho são a pobreza, fome, desigualdade de género e falta de instrução. As ONGs e comunidades académicas têm conhecimentos especializados [na solução desses problemas]”, afirmou Tasker.

Encontra-se disponível mais informação sobre o AFRICOM no Departamento de Defesa.
Pode-se encontrar mais informação sobre o Programa de Prevenção do HIV/SIDA do Departamento da Defesa no website da marinha americana.

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