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Candidato Republicano à presidência, Senador John McCain, aceita a derrota perante uma multidão de apoiantes em Phoenix na terça-feira. Também felicitou o Senador Barack Obama. Aqui está uma transcrição:
  


McCain: Obrigado. Obrigado meus amigos. Obrigado por virem aqui nesta bela noite do Arizona.

Meus amigos, chegámos ao fim duma longa caminhada. O povo americano falou e falou claramente.

Há pouco tive a honra de telefonar ao Senador Barack Obama para felicitá-lo. Para felicitá-lo por ser eleito próximo presidente dum país que ambos amamos.

Numa campanha longa e difícil como foi esta, o seu sucesso exige o meu respeito pela sua habilidade e perseverança. Ele conseguiu-o incutindo a esperança em tantos milhões de americanos, que acreditavam erradamente que tinham pouco a perder ou pouca influência na eleição dum presidente americano e isto é algo que admiro profundamente e felicito-o por o ter conseguido.

Esta é uma eleição histórica e eu reconheço o significado especial que tem para os afro-americanos e pelo orgulho especial que devem sentir esta noite.

Sempre acreditei que a América oferece oportunidades a todos os que possuem a capacidade e a vontade de as aproveitar. O Senador Obama também acredita nisso. Mas ambos reconhecemos que, embora tenhamos percorrido um longo caminho a partir de injustiças antigas que mancharam a reputação do nosso país e negaram a alguns americanos todas as bênçãos da cidadania americana, a memória disso ainda magoa.

Há um século, o convite do Presidente Theodore Roosevelt a Booker T. Washington para jantar na Casa Branca foi considerado um ultraje em muitos quadrantes.

A América hoje é um mundo distante do fanatismo cruel e assustador dessa época. Não há melhor prova disso que a eleição dum afro-americano à presidência dos Estados Unidos.

Não há motivos hoje para um americano não apreciar a sua cidadania, nesta que é a maior nação na Terra.

O Senador Obama realizou algo extraordinário para ele próprio e para o seu país. Felicito-o por isso e apresento-lhe os meus sinceros pêsames pela sua amada avó, que não viveu para ver este dia. Contudo, a nossa fé assegura-nos que ela descansa em paz na presença do Criador e muito orgulhosa pelo homem bom que ajudou a criar.

Eu e o Senador Obama tivemos as nossas divergências, defendemo-las e ele venceu. Sem dúvida que muitas dessas divergências persistem.

Estes são momentos difíceis para o nosso país. E esta noite eu asseguro-lhe que vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para o ajudar a conduzir-nos através dos muitos desafios que enfrentamos.

Exorto todos os americanos que me apoiaram a unirmo-nos não só nas felicitações, mas também colocando à disposição do nosso próximo presidente a nossa boa vontade e os nossos esforços diligentes para encontrar formas de compromisso a fim de ultrapassarmos as nossas diferenças e ajudarmos a restaurar a nossa prosperidade, defender a nossa segurança num mundo perigoso e deixar aos nossos filhos e netos um país mais forte e melhor do que o que herdámos.

Quaisquer que sejam as nossas diferenças, somos compatriotas americanos. E acreditem em mim quando afirmo que nada tem maior significado para mim do que isso.

É natural. É natural, hoje à noite, sentir algum desapontamento. Mas amanhã, devemos ultrapassar isso e trabalhar conjuntamente para pôr de novo o nosso país em marcha.

Lutámos, lutámos o mais que pudemos. E apesar de não termos vencido, o fracasso é meu e não vosso.

Sinto-me profundamente grato a todos pela grande honra do vosso apoio e por tudo o que fizeram por mim. Gostaria que o resultado tivesse sido diferente, meus amigos.

O caminho era difícil desde o início, mas o vosso apoio e amizade nunca vacilaram. Não consigo expressar adequadamente como me sinto em dívida para convosco.

Estou particularmente grato à minha esposa Cindy, aos meus filhos, à minha querida mãe e a toda a minha família e a muitos dos meus queridos amigos de longa data, que ficaram ao meu lado durante os altos e baixos desta longa campanha.

Sempre fui um homem de sorte e ainda mais pelo amor e encorajamento que me deram.
Sabem, as campanhas às vezes são mais difíceis para as famílias dos candidatos do que para os candidatos e isso foi assim nesta campanha.

Tudo o que tenho a oferecer como recompensa é o meu amor e a minha gratidão e a promessa de anos mais pacíficos no futuro.

Também estou, sem dúvida, muito grato à Governadora Sarah Palin, uma das melhores colegas de campanha que eu já conheci e uma impressionante nova voz do nosso partido a favor da reforma e dos princípios que sempre foram a nossa maior força, ao seu marido e aos seus cinco filhos pela sua dedicação infatigável à nossa causa e pela coragem e elegância que demonstraram na confusão duma campanha presidencial.

Todos nós aguardamos com grande interesse o seu trabalho futuro no Alasca, no partido republicano e no nosso país.

A todos os meus colegas de campanha, de Rick Davis, Steve Schmidt, Mark Salter a cada voluntário que lutou de forma tão corajosa, mês após mês, no que parecia ser às vezes a campanha mais difícil dos tempos modernos, muito obrigado. Uma eleição perdida nunca significará nada mais para mim do que o privilégio da vossa confiança e amizade.

Não sei que mais poderia ter feito para ganhar esta eleição. Deixarei que outros determinem isso. Todos os candidatos cometem erros e tenho a certeza de que os cometi. Mas não vou passar um só momento do futuro a lamentar o que poderia ter sido.

Esta campanha foi e continuará a ser a maior honra da minha vida e o meu coração está cheio de gratidão por essa experiência e ao povo americano por me terem ouvido antes de decidirem que o Senador Obama e o meu velho amigo Senador Joe Biden deviam ter a honra de nos dirigir nos próximos quatro anos.

Não seria um americano digno desse nome se lamentasse um destino que me concedeu o privilégio extraordinário de servir este país durante meio século. Hoje, fui um candidato ao mais alto cargo do país que tanto amo. E esta noite continuo a servi-lo. Esta é uma bênção suficiente para qualquer pessoa e agradeço ao povo do Arizona por isso.

Esta noite, mais do que em qualquer outra, no meu coração só há amor por este país e por todos os seus cidadãos, quer me tenham apoiado a mim ou ao Senador Obama, quer me tenham apoiado a mim ou ao Senador Obama.

Desejo que Deus acompanhe o homem que foi meu adversário e que será meu presidente. E apelo a todos os americanos, como fiz muitas vezes nesta campanha, que não se desesperem com as nossas dificuldades actuais, mas que acreditem sempre na promessa e na grandeza da América, porque nada aqui é inevitável.

Os americanos nunca desistem. Nunca nos rendemos. Nunca nos escondemos da história. Nós fazemos história.

Obrigado e que Deus vos abençoe e que Deus abençoe a América. Muito obrigado a todos.

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