Eleições 2008
Hillary Clinton Descreve Política de Obama para África
Secretária de Estado designada testemunha perante comité do Senado
Por Charles W. Corey
Redactor
Washington – Os objectivos de política externa da administração Obama em África baseiam-se em segurança, interesses políticos, económicos e humanitários, disse a Secretária de Estado designada, Hillary Clinton, ao comité do Senado a 13 de Janeiro.
Testemunhando perante o Comité de Relações Exteriores do Senado, Clinton afirmou que os objectivos da política externa da administração Obama para África também incluem “combater os esforços da Al Qaeda de procura de refúgio nos estados falhados no Corno de África, ajudar os países africanos a preservar os seus recursos naturais e colher os benefícios dos mesmos, acabar com a guerra no Congo [e] acabar com a autocracia no Zimbabué e a destruição humana em Darfur”.
Além disso, ela afirmou que os Estados Unidos apoiarão democracias africanas como as da África do Sul e do Gana, que acabaram de ter a sua segunda transição pacífica do poder na sequência de eleições democráticas.
“Devemos trabalhar muito com os nossos amigos africanos para que realizem os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio a nível da saúde, educação e oportunidades económicas”, acrescentou ela referindo-se a um conjunto de objectivos fixados pelas Nações Unidas, que procuram acabar com a pobreza e a fome, instituir o ensino para todos, a igualdade de género e a saúde materno-infantil, combater o VIH/SIDA e promover a sustentabilidade do ambiente e parcerias mundiais.
“A administração Obama reconhece que, mesmo que não possamos concordar plenamente com alguns governos, devemos ter compaixão pelo o seu povo. Ao investir nessa compaixão, fazemos avançar a nossa segurança comum”, disse ao comité. O painel irá dar informações ao Senado, que deverá então votar na nomeação.
Clinton sublinhou a importância do envolvimento dos EUA na luta contínua mundial contra o VIH/SIDA, “Agora, graças a vários esforços, incluindo o Plano de Emergência do Presidente Bush de Ajuda à SIDA, bem como ao trabalho de [organizações não governamentais] e fundações, os Estados Unidos beneficiam dum amplo apoio em inquéritos feitos à opinião pública em muitos países africanos. Até entre as populações muçulmanas na Tanzânia e no Quénia, a América é vista como um líder na luta contra a SIDA, a malária e a tuberculose”, disse ela.
A secretária designada afirmou que os Estados Unidos têm uma oportunidade de aproveitar o seu próprio sucesso fazendo parcerias com organizações não governamentais para aumentar os centros de saúde em África, dar acesso a mais pessoas a medicamentos vitais e assegurar que menos mães transmitam o VIH aos seus filhos e se percam menos vidas.
DARFUR, ZIMBABUÉ E CONGO ORIENTAL
Hillary Clinton caminha com o Presidente sul-africano Nelson Mandela durante uma visita a Robben Island, África do Sul a 20 de Março de 1997.
Igualmente importante para a administração Obama, segundo Clinton, será uma atenção constante ao Darfur.
“Esta é para mim uma zona de grande preocupação, tal como para o presidente eleito. Estamos a ver quais são as opções que estão disponíveis e que são viáveis. Isso é feito, como devem calcular, conjuntamente com o Departamento da Defesa. É uma crise humanitária terrível, agravada por um regime corrupto e muito cruel em Cartum, e é importante que o mundo saiba que tencionamos tratar disto da forma mais eficaz possível logo que tenhamos concluído a nossa análise e que tencionamos mobilizar o máximo de pessoas para o cumprimento da missão das forças das NU-UA, que ainda não estão totalmente operacionais e destacadas”…
“Vamos trabalhar para tentar realizar isso”, prometeu.
Clinton reconheceu que o caos, como a pirataria, resulta de estados falhados como a Somália. Acrescentem a isso o Zimbabué, disse ela, onde o regime de Robert Mugabe tem maltratado tanto o seu povo, e a anarquia e violência no Congo Oriental e este caos continua a colocar problemas ao continente.
Ela chamou a esses países “viveiros não só para os piores maus tratos a seres humanos, desde assassínios em massa a violações, indiferença à doença e outras calamidades terríveis, mas são [também] um convite aos terroristas para encontrarem refúgio no meio do caos”.
EDUCAÇÃO, INVESTIMENTO SOCIAL
Acerca da educação e do investimento social, Clinton afirmou que os Estados Unidos podem gerar mais boa-vontade fazendo parcerias com grupos internacionais e organizações não governamentais para construir escolas e formar professores.
“O presidente eleito apoia um fundo mundial da educação para promover o ensino no mundo inteiro. Quero realçar a importância que tem para nós esta abordagem de baixo para cima. O presidente eleito e eu acreditamos fortemente nisto. Investir no género humano através do desenvolvimento social não é secundário para a nossa política externa, mas sim essencial para a realização dos nossos objectivos”.
Clinton também sublinhou a importância do micro-financiamento.
“Como um à parte pessoal, gostaria de mencionar que a mãe do presidente eleito Obama, Ann Dunham, foi uma pioneira do micro-financiamento na Indonésia. No meu próprio trabalho em micro-finanças em todo o mundo, desde o Bangladesh ao Chile, Vietname e África do Sul e muitos outros países, vi em directo a forma como pequenos empréstimos concedidos a mulheres pobres para iniciar um negócio podem melhorar o nível de vida e transformar as economias locais. A mãe do presidente eleito tinha planeado assistir a um fórum sobre micro-finanças na Conferência das Mulheres em Pequim em 1995, na qual eu participei. Infelizmente, encontrava-se muito doente e não pôde viajar, tendo falecido alguns meses depois.
“Mas penso que é justo dizer que o seu trabalho a nível do desenvolvimento internacional e os cuidados e preocupação demonstrados com as mulheres e os pobres de todo o mundo, tiveram uma grande importância para o seu filho, o nosso presidente eleito. E acredito que certamente influenciaram as suas opiniões e a sua visão. Sentir-me-ei honrada por prosseguir o trabalho de Ann Dunham nos próximos anos”, declarou Clinton.