Elections 2008
Presidência de Obama Traria Nova Dimensão a Política Africana
Especialista em África, Howard Wolpe, discute futuras relações EUA-África
Por Charles W. Corey
Redactor
Washington – Eleger Barack Obama próximo presidente dos Estados Unidos traria uma nova dimensão à política externa americana, particularmente com relação a África, segundo Howard Wolpe, director do programa África e do Projecto de Liderança e Reforço de Capacidade do Estado no Centro Woodrow Wilson em Washington.
“A ascendência de Obama à presidência terá um enorme impacto político simbólico no continente africano”, disse Wolpe a America.gov. “O facto de uma pessoa de raça africana poder ser presidente dos Estados Unidos vai aumentar substancialmente a nossa estatura moral e permitir-nos, julgo eu, ter muito mais influência nas nossas relações com países africanos”.
Wolpe, um antigo membro da Câmara dos Representantes dos EUA e um especialista em política africana, presidiu o Subcomité da Câmara para África em 10 dos seus 14 anos no Congresso. Foi também enviado especial do Presidente Clinton à região dos Grandes Lagos em África. Recentemente comunicou as suas opiniões a America.gov sobre o que significaria uma administração Obama para África, com o preâmbulo de que estas são as suas opiniões pessoais como africanista e que não estava a falar em nome do Wilson Center.
Numa conversa à parte, America.gov perguntou ao antigo Secretário Assistente para os Assuntos Africanos Herman Cohen o que significaria para África uma presidência de John McCain.
Os africanos estão muito entusiasmados com as eleições presidenciais americanas, disse Wolpe, e estão a seguir de perto esta corrida como se fossem as suas próprias eleições. Uma presidência de Obama “facilitará muito a diplomacia necessária para tentar fazer algum progresso na região de Darfur no Sudão ou na situação política no Zimbabué”.
A longo prazo, disse Wolpe, o principal desafio com que a África é confrontada é a construção de estados coesos. Uma administração Obama dedicar-se-ia particularmente a ajudar os africanos a procurar um entendimento e eliminar o conflito no continente, previu ele. “Se não se conseguir resolver a questão, as perspectivas de desenvolvimento económico sustentável a longo prazo ficarão constantemente comprometidas”, disse ele.
Obama tem “uma sensibilidade geral sobre a natureza dos desafios económicos, sociais e políticos que o chamado Terceiro Mundo está a enfrentar, não só a África mas a Ásia e a América Latina. Ele demonstrou… uma percepção muito mais profunda do tipo de questões que devem ser tratadas do que muitos dos nossos líderes nacionais tiveram no passado”.
Além disso, a ascendência africana de Obama (o pai era do Quénia) aumenta a sua sensibilidade cultural e a sua compreensão dos desafios que os países em desenvolvimento enfrentam, segundo Wolpe.
APROVEITAR AS REALIZAÇÕES DE ADMINISTRAÇÕES ANTERIORES
Wolpe considerou que a administração Bush fez grandes progressos em África. “Por muito que eu e outros tenhamos discordado com muitas facetas da administração Bush, houve mais continuidade do que descontinuidade das políticas e iniciativa africanas da anterior administração Clinton”. A ajuda aumentou através de programas como a Corporação para o Desafio do Milénio e a Iniciativa do Presidente para Ajuda à SIDA (PEPFAR).
“Isso”, disse ele, “reflecte que a África já não é alvo duma guerra partidária”, como aconteceu durante a Guerra Fria. Agora existe um amplo consenso bipartidário no Congresso em apoio a mais relações comerciais, ao perigo de estados falhados e à necessidade de tratar de ameaças significativas à saúde e preocupações com os direitos humanos, que ainda persistem, disse ele.
“Isso é bom porque é uma maior base bipartidária para continuar uma política muito mais informada e, diria eu, eficaz com relação a África.
A resolução de conflitos é uma área que ainda precisa de ser trabalhada, disse ele, e podia receber uma atenção especial de Obama.
Segundo Wolpe, uma administração Obama incidiria em três temas chave para África:
• Acelerar a integração de África na economia mundial. Wolpe disse que a abertura dos mercados através da Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África (AGOA) é apenas metade do problema. “A outra metade da equação é reforçar a capacidade em África para que os estados e as economias africanas possam aproveitar estes novos mercados. Este é um desafio fundamental agora”.
• Melhorar a paz e a segurança dos países africanos. “O desafio em África é que estas são sociedades divididas. O desafio em África não é ajudar as pessoas a competir bem… O desafio é construir capacidade colaborativa e não competitiva. Isso exige uma abordagem diferente da nossa diplomacia e novas técnicas para unir os líderes e ajudar a construir as suas próprias relações, ajudá-los a ultrapassar essa mentalidade de conflito”.
• Reforçar as relações para aprofundar a democracia e a responsabilidade e reduzir o conflito. “No passado houve uma tendência no Ocidente para romancear a sociedade civil como “os bons” e o contraponto ao poder do governo. Assim, o modelo que tivemos é o reforço da sociedade civil para manter os governos honestos”.
Para mais informação sobre as posições de Obama em matéria de política externa, ver “Candidatos sobre Questões” em America.gov.