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Elections 2008

Presidência de McCain Provavelmente Alargaria Política Africana de Bush
Antigo Funcionário do Departamento de Estado opina sobre administração McCain
 

Por Charles W. Corey
Redactor

Washington – Se for eleito como próximo presidente dos Estados Unidos, o candidato do partido republicano John McCain provavelmente continuará e possivelmente alargará muitas das políticas criadas durante a administração Bush, segundo Herman J. Cohen, antigo Secretário de Estado Assistente para os Assuntos Africanos.

Numa entrevista recente ao America.gov, Cohen apresentou as suas opiniões – resultantes da sua enorme experiência em assuntos africanos – sobre o que significaria uma presidência McCain para África.

Numa conversa à parte, America.gov perguntou a Howard Wolpe, africanista de carreira e antigo presidente do Subcomité para África na Câmara dos Representantes dos EUA, qual era a sua opinião sobre o que significaria uma presidência Obama para África.

Grande parte da carreira diplomática de Cohen foi dedicada às relações EUA-África. Passou 38 anos na carreira diplomática e foi Secretário Assistente para os Assuntos Africanos de 1989 a 1993 na administração do Presidente George H.W. Bush. Anteriormente tinha sido embaixador dos Estados Unidos no Senegal e chefe de missão adjunto em Kinshasa.

Cohen afirmou que o actual Presidente Bush goza de grande popularidade em África como consequência directa das políticas da sua administração com relação a este continente.
“Os africanos têm estado muito satisfeitos e a maioria das pessoas que acompanha os assuntos africanos nos Estados Unidos atribuiu à administração Bush uma boa classificação. Assim, o que vemos é a continuação de muita ênfase nos cuidados de saúde no quadro do programa para o HIV/SIDA conhecido como PEPFAR [Plano de Emergência do Presidente de Ajuda à SIDA] e… um esforço para ter relações mais fortes com a África do Sul”.

Durante o governo do antigo Presidente sul-africano Thabo Mbeki, que deixou o poder recentemente, as relações eram “um pouco frias”, disse Cohen. “Agora com a mudança, uma administração McCain tentaria com empenho estabelecer relações mais saudáveis e calorosas com a África do Sul”.

Cohen especulou que uma administração McCain também continuaria a formação militar conjunta, os programas de combate ao terrorismo e a formação em manutenção da paz agora em curso em África.

REALCE AO DESENVOLVIMENTO DO SECTOR PRIVADO 

Uma administração McCain colocaria ainda mais ênfase na promoção do desenvolvimento económico do sector privado em África, afirmou Cohen.

“A Corporação para o Desafio do Milénio é muito forte no [desenvolvimento] do sector privado e eu penso que iremos ver a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional a financiar ainda mais actividade do sector privado para ajudar ainda mais os africanos a tornarem-se investidores”, previu ele.

“Agora que a África está a ficar mais aberta ao sector privado, precisam de infra-estruturas para fazê-lo funcionar. Sabe, durante muitos anos estiveram como que desconfiados do sector privado e de todo o tipo de economias socialistas. Agora que estão a ficar mais abertos”, precisam de ajuda nesta área, disse Cohen.

“As pessoas não vão investir a não ser que tenham electricidade constante, bons serviços telefónicos e a um bom preço, boas estradas e abastecimento de água. Agora que querem o desenvolvimento do sector privado, temos que ajudá-los com meios para se tornarem mais atractivos para os investidores”.

Ao ser questionado se uma administração McCain podia ter laços ainda mais estreitos com o sector empresarial e de investimento africano, Cohen respondeu, “Penso que sim. Não quero dizer que esta administração não os teve, mas penso que haverá mais ênfase”.

Cohen disse que agora está a trabalhar como consultor privado num projecto no Togo, que pertencerá a privados e será financiado através da U.S. Overseas Private Investment Corporation. “Concederam 100% do financiamento para este projecto privado, por isso penso que vai haver cada vez mais”.

Avaliando as relações EUA-África, Cohen disse que africanos e americanos há muito que têm laços estreitos de amizade porque os Estados Unidos nunca foram uma potência colonial em África. Isto faz uma diferença.

Além disso, disse ele, os americanos fizeram muitas coisas boas em África – projectos que têm um impacto positivo directo no “homem comum”. Eliminaram a varíola e estão a esforçar-se muito no combate ao HIV/SIDA através do PEPFAR, alimentaram milhares de africanos famintos através de biliões de dólares em ajuda alimentar, estão a ajudar os africanos no combate ao terrorismo e há muito tempo que trabalham pelo bem de todos os africanos através de programas como o Corpo da Paz.

“Os africanos sentem-se muito vulneráveis” ao terrorismo, disse Cohen. “Os africanos não acreditam na jihad e até nos países muçulmanos querem ficar afastados disso e por isso desejam a cooperação dos americanos na prevenção do extremismo religioso.

“Assim, tudo isto junto significa que os Estados Unidos são vistos sob um ângulo favorável”. Por isso muitas destas tendências positivas que foram implementadas durante a administração Bush provavelmente continuarão a crescer durante uma administração McCain.

Cohen reconheceu as suas preocupações sobre a actual crise financeira e o seu possível impacto em aspectos da política externa americana como a ajuda externa.

Quem quer que ganhe a presidência vai ser confrontado com esta questão muito grave” que pode afectar significativamente alguns programas americanos, disse ele.

Para mais informações sobre a posição de McCain em política externa ver “Candidatos sobre Questões” em America.gov.


 

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