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Eleições nos EUA

Irá a Globalização Ocupar o Centro da Cena das Eleições Americanas?
Candidatos devem proporcionar um debate honesto, não um jogo de culpas, dizem os peritos 
 

Por Andrzej Zwaniecki
Redactor

Washington- O comércio internacional pode ressurgir como uma questão eleitoral quando aquecer a corrida presidencial entre o candidato democrata Barack Obama e o candidato republicano John McCain, segundo os especialistas em comércio.

O comércio merece ser uma questão principal das eleições, segundo Gary Gereffi, director do Centro sobre Globalização, Governação e Competitividade em Duke University. “Precisamos dum debate robusto e honesto sobre como aumentar a competitividade na economia dos EUA e continuar a liderar o mundo em termos de inovação para criar empregos em fábricas”, disse ao America.gov.

Até ao momento, esse debate ainda não aconteceu, disse ele, pois os principais candidatos republicanos defenderam o status quo e os principais democratas prometeram tornar o comércio mais justo para os trabalhadores americanos, que dizem que têm estado a perder emprego para aos países em que os salários são mais baixos.

Edward Gresser do Progressive Policy Institute, que está associado ao Partido Democrata, declarou ao América.gov que as opiniões de McCain sobre o comércio são algo diferentes das do Presidente Bush. Por exemplo, contrariamente a Bush, McCain tem-se mostrado relutante em apoiar a protecção às indústrias e aos agricultores americanos.

Mas nenhum republicano está interessado em tratar das ansiedades económicas dos trabalhadores e do público em geral, afirmou Gresser.

São mais os americanos que acreditam que as políticas comerciais do passado foram más para a economia americana do que os que acreditam que essas políticas foram boas, a maioria dos inquiridos culpou os acordos de comércio livre pela perda de postos de trabalho.

Estes sentimentos não são corroborados por provas. A pesquisa sugere que muito mais empregos em fábricas nos EUA se perderam nas últimas décadas devido aos progressos tecnológicos, como a informatização das fábricas, do que pelo facto das empresas americanas deslocalizarem as suas operações para os países em desenvolvimento. A globalização é responsável pelos preços baixos e pela variedade de produtos nas lojas americanas.

Mas Gresser disse que acredita que o público em geral tem uma ideia exacta de que, à medida que a economia muda cada vez mais depressa, mais trabalhadores vão ficando sem emprego, seguro de saúde (que nos Estados Unidos é patrocinado sobretudo pela entidade patronal) e pensões suficientes. Ambos os candidatos, prometem rever o subsídio de desemprego e programas de reciclagem para trabalhadores deslocados. Contudo, Obama, tem propostas mais vastas e proactivas do que McCain, declarou Gresser.

Também Obama quer que os critérios de trabalho e ambientalistas façam parte de qualquer acordo comercial futuro, enquanto que McCain não, segundo o principal assessor económico de McCain, Douglas Holtz-Eakin.

Frederic Mayer, um cientista político da Duke University, afirmou que os líderes políticos devem compreender que as virtudes do comércio livre, incluindo a distribuição de benefícios entre vários países e grupos sociais, estão agora a ser reexaminados em todo o mundo. “Parece-me que a fórmula antiga para comércio livre mais acordos laterais sobre o trabalho e o ambiente pode ser insuficiente”, disse ao America.gov.

Durante as eleições primárias, os candidatos democrata Hillary Clinton e Obama indicaram que queriam ir mais além do que aperfeiçoar novos acordos comerciais. Apelaram à renegociação do Acordo Norte-Americano de Comércio Livre (NAFTA). Isto e o tom anti-globalização em geral dos discursos democratas fizeram ficar pouco à vontade os defensores do comércio norte-americano e decisores políticos noutros países.

Michael Barone, um intelectual no American Enterprise Institute, uma organização conservadora de investigação de políticas, diz que Clinton e Obama têm estados sobre pressão dos sindicatos que estão insistir em restrições ao comércio. Sob a mesma pressão, a maioria democrata no Congresso bloqueou a consideração de acordos de comércio livre com a Colômbia e a Coreia do Sul celebrados pela administração.

Barone, que também é jornalista na revista U.S. News and World Report, disse ao America.gov que o candidato democrata, Obama, ficará cada vez mais entalado entre duas forças importantes no Partido Democrata: sindicatos e principais apoiantes financeiros, que na sua maioria vêm de Wall Street e consideram as restrições ao comércio um disparate.
O candidato democrata parece ter recuado quanto à sua posição inicial sobre o NAFTA: disse recentemente aos jornalistas que os seus comentários sobre esse acordo tinham sido mal interpretados. Gereffi acredita que Obama podia ter suavizado a sua retórica – o website da campanha de Obama diz que ele “irá trabalhar com os líderes do Canadá e do México para consertar o NAFTA para que sirva aos trabalhadores americanos” – em resposta a reacções negativas em Ottawa e cidade do México.

No seu discurso a 28 de Agosto, aceitando a nomeação democrata, Obama referiu-se à globalização apenas uma vez, dizendo que proporia incentivos à empresas americanas para que criem emprego nos Estados Unidos em vez de no estrangeiro.

A maior parte dos especialistas espera que o debate sobre o comércio seja menos politizado nos próximos meses porque ambas as campanhas compreendem que agora são observadas mais de perto em busca de indícios sobre políticas futuras do que durante as primárias.

Gereffi disse que culpar a globalização ou outros países pelos males económicos nos Estados Unidos também não seria útil a Obama. Perderia “o barco quanto ao que é o verdadeiro desafio da competitividade para os Estados Unidos”.

Ele afirmou que tanto a campanha democrata como a republicana têm uma oportunidade de redefinir o debate comercial e fazer planos para voltar a incidir em questões reais, como melhor educação e incentivos à formação e inovação.

As opiniões oficiais de Obama e McCain sobre questões comerciais podem ser vistas nos websites das suas campanhas respectivas.

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