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AFRICOM

Novo Comando Militar Americano Reflecte Importância Crescente de África

(Negociações começam dentro de semanas para localização do quartel-general do AFRICOM)

Por Vince Crawley
Redactor do USINFO

Washington – Responsáveis americanos dizem que a decisão do Presidente Bush de criar um novo comando militar americano para África (AFRICOM), reflecte o seu valor estratégico a longo prazo e não tem como finalidade proteger o petróleo, combater militantes islamitas ou contrariar o envolvimento crescente da China no continente.

Os responsáveis americanos esperam iniciar dentro de semanas as negociações sobre onde é que ficará situado o quartel-general em África. Contudo, essa decisão não deve ser tomada dentro de meses. Também, ainda não há uma decisão sobre o nível de tropas para o comando. Os quartéis-generais regionais americanos normalmente têm mais de 1.000 homens, mas o AFRICOM está ainda na fase inicial de planeamento e não foram tomadas decisões sobre o modo como o comando será estruturado ou dotado em pessoal.

“A importância de África é a razão que nos leva a criar este novo comando unificado”, disse Theresa Whelan, secretária da defesa adjunta assistente, aos jornalistas a 9 de Fevereiro.

O AFRICOM tornará mais eficaz a interacção militar americana no continente, declarou Whelan numa conferência de imprensa em Washington. O novo comando também integrará melhor o Departamento da Defesa com outras agências do governo americano e internacionais que trabalham em África, afirmou Whelan.

A administração Bush anunciou, a 6 de Fevereiro, planos para criar o novo comando a 30 de Setembro de 2008.

Contudo, a ideia de criar o comando tem vindo a evoluir há décadas e não é uma resposta a nenhum acontecimento recente político ou militar, realçaram os responsáveis.

“Isto não é uma disputa pelo continente”, disse Whelan aos jornalistas. A criação do AFRICOM também não é uma resposta a acções militares recentes na Somália, explicou ela. Em Dezembro de 2006, o Governo Nacional Provisório da Somália, apoiado internacionalmente, ajudado por tropas etíopes, derrotou uma força jihadista anti ocidental chamada Conselho de Tribunais Islâmicos (CTI), que tinha obtido o controlo da maior parte da Somália. Os Estados Unidos acreditam que alguns membros do CTI estão ligados ao grupo terrorista Al Qaeda e foram responsáveis pelos ataques à bomba de Agosto de 1998 contra as embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia. (Vide artigo relacionado). 

Whelan disse que o AFRICOM tem um propósito a mais longo prazo do que procurar militantes em regiões sem lei nem governo. Questionada se o AFRICOM assinala uma expansão das operações militares antiterrorismo, Whelan respondeu, “Este não é objectivo deste comando de forma alguma. Isto não tem a ver com a perseguição de terroristas em África”.

Os comandos regionais do Departamento da Defesa desempenham um grande papel diplomático. Os comandos regionais são uma extensão do papel mundial dos Estados Unidos na sequência da Segunda Guerra Mundial. Apesar de organizados pelos militares, os comandos são normalmente o ponto focal de todas as interacções do governo americano na região. Actualmente o Departamento da Defesa coordena os seus assuntos em todo o mundo recorrendo a cinco comandos regionais: o Comando Americano do Norte e o Comando Americano do Sul para a América do Norte e do Sul e Caraíbas; o Comando Central Americano para o Médio Oriente, partes da Ásia Central e Corno de África; o Comando Europeu Americano para a Europa e grande parte da África Subsariana; e o Comando Americano do Pacífico para o Leste da Ásia e o Oceano Indico, incluindo as ilhas ao largo da costa africana.

Em 1983, quando os estrategas americanos reconheceram a importância crescente de África, grande parte do continente encontrava-se sob a área de responsabilidade do Comando Europeu porque a maioria dos países africanos são antigas colónias europeias com laço culturais e políticos contínuos com a Europa.

Desde meados dos anos 90 que os especialistas regionais do Departamento da Defesa, envolvidos em África, defendem a criação dum Comando Africano. O recém reformado chefe do Comando Europeu, antigo Comandante da Armada, General James Jones, passou o seu mandato de 2003 a 2006 realçando a importância dum esforço coordenado do governo americano na África Subsariana para moderar regiões não governadas e promover políticas de desenvolvimento e saúde.

“A crescente importância estratégica do continente é uma das principais razões pelas quais estamos a criar este comando”, disse o Contra Almirante da Armada, Robert Moeller aos jornalistas, a 9 de Fevereiro, no Centro de Imprensa Estrangeira. Moeller está a dirigir a equipa de transição do AFRICOM em Estugarda, Alemanha, onde se encontra o Comando Europeu Americano.

A equipa de Moeller elaborou uma declaração de missão para o novo comando que realça o trabalho com os países africanos para incentivar a estabilidade e ajudar e prevenir conflitos futuros. A proposta de declaração de missão diz em parte: “O Comando Africano promove os objectivos de segurança nacional ao trabalhar com países africanos e organizações regionais para ajudar a reforçar a estabilidade e a segurança na AOR [área de responsabilidade]”.  

As tarefas do comando, segundo Moeller, incluirão:

• Construir parcerias;
• Apoiar agências do governo americano;
• Cooperar em toda a região na área da segurança;
• Aumentar as capacidades de combate ao terrorismo dos países parceiros;
• Melhorar a ajuda humanitária, a ajuda e a resposta a desastres;
• Promover o respeito pelos direitos humanos
• Apoiar organizações regionais africanas; e
• Se necessário, realizar operações militares.

“Virtualmente todo este tipo de coisas acontecem hoje”, disse Moeller. Mas, ao criar um comando focalizado em África, acrescentou ele, “pensamos que seremos capazes de realizar todas estas actividades ainda com mais eficácia”.

Para mais informações sobre o AFRICOM, queira visitar o site, www.africom.mil

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